Como Criar Protagonistas Memoráveis em Fantasia Épica

A fantasia épica é um dos gêneros mais envolventes da literatura, transportando leitores para mundos repletos de magia, criaturas místicas e batalhas grandiosas. No entanto, por mais fascinantes que sejam os cenários e os sistemas mágicos, o verdadeiro coração de qualquer história está nos personagens que a conduzem. Um protagonista bem construído pode transformar uma narrativa comum em uma jornada inesquecível, criando conexões emocionais profundas com o público.

Mas o que torna um protagonista memorável? Como criar um herói (ou anti-herói) que se destaque em meio a tantas sagas épicas? Neste artigo, vamos explorar elementos essenciais para desenvolver personagens cativantes, desde sua jornada pessoal até suas falhas e motivações.

Se você deseja escrever uma história de fantasia épica que realmente ressoe com os leitores, acompanhe as dicas a seguir e descubra como criar protagonistas que ficarão marcados na mente e no coração do público!

A Essência de um Protagonista Memorável

O que torna um protagonista inesquecível?

Um protagonista memorável em fantasia épica vai muito além de ser apenas um herói destemido ou um guerreiro habilidoso. Ele precisa ter profundidade, motivações bem definidas e uma evolução significativa ao longo da narrativa. O público se conecta com personagens que enfrentam desafios internos e externos, tomam decisões difíceis e deixam sua marca no mundo ao seu redor.

Aqui estão alguns elementos essenciais que tornam um protagonista inesquecível:

  • Personalidade única: O protagonista deve ter traços de caráter marcantes, sejam eles coragem, inteligência, impulsividade ou um senso de dever inabalável.
  • Conflitos internos: Medos, dúvidas e falhas tornam um personagem mais humano e crível. Ninguém quer acompanhar uma jornada de um herói perfeito e sem desafios pessoais.
  • Motivações fortes: Todo protagonista precisa de um objetivo claro, seja ele vingança, redenção, conquista ou a proteção de algo ou alguém querido.
  • Evolução ao longo da história: Um personagem que começa e termina sua jornada da mesma forma não cativa os leitores. Seu crescimento, aprendizados e mudanças tornam sua trajetória envolvente.

Exemplos de personagens icônicos da fantasia épica

Muitos protagonistas se destacaram ao longo da história da literatura de fantasia épica. Vamos explorar alguns exemplos e o que os torna memoráveis:

  • Frodo Bolseiro (O Senhor dos Anéis, de J.R.R. Tolkien)
    Um hobbit simples e comum, Frodo se vê diante da enorme responsabilidade de destruir o Um Anel. Sua coragem, mesmo sem grandes habilidades de combate, e seu conflito interno entre o peso da missão e sua própria identidade fazem dele um protagonista inesquecível.
  • Geralt de Rívia (The Witcher, de Andrzej Sapkowski)
    Um caçador de monstros de poucas palavras e moral ambígua, Geralt é um personagem complexo que enfrenta preconceito, dilemas éticos e os desafios de um mundo onde o bem e o mal nem sempre são claramente definidos.
  • Vin (Mistborn, de Brandon Sanderson)
    De uma jovem insegura vivendo nas ruas a uma poderosa Alomântica, Vin passa por uma das evoluções mais marcantes da fantasia moderna, tornando-se uma líder e guerreira determinada.
  • Rand al’Thor (A Roda do Tempo, de Robert Jordan)
    O jovem camponês que descobre ser o Dragão Renascido enfrenta uma jornada cheia de desafios, batalhas internas e um destino inescapável. Sua evolução de um rapaz ingênuo para um líder marcado pelo sacrifício é um dos pontos altos da série.

Cada um desses personagens tem algo em comum: são imperfeitos, possuem jornadas bem construídas e deixam uma forte impressão nos leitores. Se você deseja criar um protagonista memorável para sua própria história, inspire-se nesses exemplos e pense em como seu personagem pode crescer e se destacar dentro do mundo que você está construindo.

Construindo a Jornada do Herói

O arquétipo clássico da Jornada do Herói (Joseph Campbell)

A Jornada do Herói é uma das estruturas narrativas mais conhecidas e utilizadas na literatura, especialmente na fantasia épica. Concebida pelo mitólogo Joseph Campbell em O Herói de Mil Faces, essa estrutura descreve um ciclo de transformação pelo qual o protagonista passa, enfrentando desafios, aprendendo lições e se tornando uma nova versão de si mesmo.

A Jornada do Herói tradicionalmente se divide em três grandes atos:

  1. Partida – O herói sai do seu mundo comum após um chamado à aventura, muitas vezes relutante, até ser guiado por um mentor.
  2. Iniciação – Enfrenta desafios, descobre aliados e inimigos, passa por uma provação crucial e recebe uma recompensa.
  3. Retorno – Volta ao seu mundo transformado, trazendo conhecimento, poder ou mudanças que impactam seu lar.

Exemplos famosos dessa estrutura incluem Frodo Bolseiro (O Senhor dos Anéis), Harry Potter (Harry Potter) e Luke Skywalker (Star Wars, que foi fortemente inspirado na Jornada do Herói).

Como adaptar essa estrutura para criar um protagonista único

Seguir a Jornada do Herói não significa que seu protagonista precisa ser um clichê. Para torná-lo único, é essencial personalizar essa estrutura de acordo com a sua história. Algumas formas de fazer isso incluem:

  • Inverter ou alterar os estágios: Seu personagem pode começar como um herói já estabelecido, falhar e precisar se reinventar. Ou, em vez de retornar ao lar, ele pode ser forçado a permanecer no novo mundo.
  • Modificar o chamado à aventura: Nem todo protagonista aceita sua missão de imediato. Talvez ele tenha uma motivação diferente, como vingança ou sobrevivência, em vez de um senso de dever heroico.
  • Criar desafios únicos: Os obstáculos que o protagonista enfrenta devem estar alinhados ao seu desenvolvimento. Em vez de simplesmente derrotar um vilão, ele pode precisar enfrentar seu próprio passado ou superar uma fraqueza mortal.
  • Desenvolver falhas profundas: Um herói não precisa ser perfeito. Ao dar a ele falhas reais, como orgulho, teimosia ou impulsividade, sua jornada se torna mais interessante e imprevisível.

Ao adaptar a Jornada do Herói de forma criativa, você pode criar um protagonista original e marcante, capaz de prender a atenção dos leitores e transformar sua história de fantasia épica em uma experiência inesquecível.

Criando uma História e Motivações Fortes

Um protagonista memorável não surge do nada. Sua personalidade, escolhas e reações ao longo da história são moldadas pelo seu passado e por suas motivações. Para criar um herói envolvente em fantasia épica, é essencial estabelecer suas origens, desejos e conflitos internos, garantindo que sua jornada seja convincente e cativante.

A importância do passado do personagem

O passado de um protagonista influencia diretamente sua forma de ver o mundo e de agir diante dos desafios. Elementos como sua criação, experiências traumáticas, ensinamentos recebidos e até mesmo erros cometidos moldam sua personalidade.

Pense em Aragorn, de O Senhor dos Anéis: seu passado como herdeiro exilado de um trono perdido influencia seu senso de dever e sua hesitação em aceitar seu destino. Da mesma forma, Kaladin, de O Caminho dos Reis (Brandon Sanderson), carrega traumas da guerra e da perda, o que define seu comportamento protetor e sua aversão à liderança.

Ao desenvolver o passado do seu protagonista, pergunte-se:

  • Qual foi o maior evento que moldou sua personalidade?
  • Ele teve uma infância feliz ou difícil?
  • Existe algo em seu passado que ele tenta esconder ou esquecer?

Desejos, medos e conflitos internos

Um personagem sem desejos e medos bem definidos se torna genérico e desinteressante. Motivações fortes são essenciais para fazer com que o público se importe com a jornada do protagonista.

  • Desejos: O que seu protagonista quer mais do que tudo? Ele busca vingança, redenção, reconhecimento ou simplesmente liberdade?
  • Medos: O que ele teme perder? Ele tem medo de falhar, de se tornar algo que despreza ou de reviver um trauma do passado?
  • Conflitos internos: Existe algo dentro dele que o impede de alcançar seus objetivos? Talvez ele queira salvar o mundo, mas duvide de sua própria força. Ou deseja ser amado, mas não sabe como confiar nas pessoas.

Exemplo: Em Mistborn, Vin começa sua jornada desconfiando de todos ao seu redor, pois sua infância foi marcada por traição e abandono. Seu maior desejo é encontrar um lar e pertencer a algo maior, mas seu medo de ser enganada a impede de se abrir completamente.

Como conectar as motivações do protagonista à trama

Para que um protagonista realmente brilhe, suas motivações devem estar diretamente ligadas à história principal. O enredo não pode simplesmente acontecer ao redor dele; suas decisões e desejos devem impulsionar os eventos.

Aqui estão algumas formas de garantir essa conexão:

  • Faça com que o vilão ou o conflito principal ameace algo que ele valoriza profundamente. Se o protagonista deseja proteger sua família, coloque esse elemento em risco. Se busca vingança, faça com que o antagonista tenha relação direta com seu passado.
  • Use o desenvolvimento do personagem para moldar a narrativa. Conforme o protagonista cresce e aprende, suas escolhas devem impactar o mundo ao seu redor. Talvez ele comece a história buscando vingança, mas ao longo do caminho perceba que há algo mais importante a ser protegido.
  • Crie momentos de dilema. Dê ao protagonista escolhas difíceis, onde nenhuma opção é completamente certa ou errada. Isso tornará sua jornada mais humana e envolvente.

Ao alinhar a motivação do protagonista à trama, você garante que sua história tenha um impacto emocional forte e que os leitores se conectem profundamente com o personagem. Afinal, as melhores histórias são aquelas em que não apenas acompanhamos a jornada do herói, mas sentimos sua luta como se fosse nossa.

Falhas e Vulnerabilidades: O Que os Torna Humanos

Criar um protagonista forte e carismático é essencial para uma boa história de fantasia épica, mas há um detalhe que diferencia personagens medianos de personagens realmente memoráveis: suas falhas e vulnerabilidades. Um herói perfeito, sem defeitos ou desafios internos, se torna previsível e entediante. Já um protagonista com fraquezas reais se torna mais humano, permitindo que os leitores se conectem com ele de forma genuína.

O perigo de personagens “perfeitos”

Um erro comum ao criar protagonistas em fantasia épica é torná-los poderosos e impecáveis a ponto de perderem qualquer traço de humanidade. Personagens assim, conhecidos como Mary Sues (ou Gary Stus, no caso masculino), não enfrentam desafios reais, pois sempre vencem sem esforço e são amados por todos. Isso prejudica a narrativa, pois elimina a tensão e o crescimento do personagem.

A jornada de um protagonista deve ser marcada por dificuldades e momentos de falha. Se ele nunca erra ou nunca tem que lidar com as consequências de suas ações, a história perde credibilidade e o leitor não sente que ele realmente conquistou suas vitórias.

Exemplos de fraquezas bem construídas e como usá-las para aprofundar a narrativa

Fraquezas bem construídas podem ser físicas, emocionais ou morais. Vamos analisar algumas categorias de vulnerabilidades e exemplos de personagens que as utilizam de forma marcante:

  1. Fraqueza Física
    • Exemplo: Tyrion Lannister (As Crônicas de Gelo e Fogo). Sua condição física o coloca em desvantagem em um mundo dominado por guerreiros, mas ele compensa isso com inteligência e estratégia.
    • Como usar na narrativa: Limitações físicas podem criar obstáculos únicos, forçando o protagonista a encontrar soluções criativas para seus problemas.
  2. Conflito Emocional
    • Exemplo: Kaladin Stormblessed (O Caminho dos Reis). Ele luta constantemente contra a depressão e o sentimento de culpa, o que afeta suas decisões e sua capacidade de liderança.
    • Como usar na narrativa: Um personagem emocionalmente fragilizado pode ter dificuldade em confiar nos outros, tomar decisões impulsivas ou até mesmo hesitar em momentos cruciais.
  3. Falhas de Personalidade
    • Exemplo: Kvothe (O Nome do Vento). Seu orgulho e arrogância frequentemente o colocam em situações perigosas.
    • Como usar na narrativa: Defeitos de personalidade criam conflitos naturais entre personagens, tornando a dinâmica mais rica e imprevisível.
  4. Dilemas Morais
    • Exemplo: Geralt de Rívia (The Witcher). Seu código de conduta o impede de se envolver em certos conflitos, mesmo quando ele sabe que a escolha “certa” pode não ser tão simples.
    • Como usar na narrativa: Colocar o protagonista em situações onde nenhuma escolha é ideal cria dilemas envolventes e aprofunda seu desenvolvimento.

Transformando fraquezas em pontos-chave da história

Ao invés de apenas mencionar as fraquezas do protagonista, faça com que elas impactem diretamente o enredo. Algumas estratégias para isso são:

  • Criar momentos onde a fraqueza do personagem realmente o prejudica, forçando-o a crescer ou mudar.
  • Usar as vulnerabilidades para gerar conflitos internos e externos, aprofundando sua jornada.
  • Fazer com que a falha do protagonista tenha consequências reais, obrigando-o a lidar com seus erros.

Ao desenvolver um protagonista com falhas reais e bem exploradas, sua história de fantasia épica se torna mais rica, envolvente e emocionalmente impactante. Afinal, são as imperfeições que fazem os personagens — e as histórias — inesquecíveis.

Relações e Desenvolvimento ao Longo da História

Um protagonista não se desenvolve sozinho. Suas relações com outros personagens são fundamentais para sua jornada e crescimento. Em uma história de fantasia épica, os coadjuvantes não são apenas apoio narrativo — eles moldam o protagonista, desafiam suas crenças e influenciam suas decisões. Além disso, garantir que o herói evolua ao longo da trama é essencial para manter o público investido na história.

A importância dos coadjuvantes no desenvolvimento do protagonista

Os personagens secundários desempenham um papel crucial na construção do protagonista, seja como aliados, mentores, rivais ou antagonistas. Cada interação traz desafios e aprendizados que ajudam o herói a crescer.

Aqui estão alguns tipos de coadjuvantes que impactam a evolução do protagonista:

  • Mentor: Um guia que transmite conhecimento e ajuda o protagonista a entender seu papel no mundo. (Exemplo: Gandalf em O Senhor dos Anéis).
  • Aliados: Companheiros que compartilham a jornada, oferecendo apoio, desafios e perspectivas diferentes. (Exemplo: Samwise Gamgee, que impulsiona Frodo a seguir em frente).
  • Rival: Um personagem que desafia o herói, criando tensão e promovendo seu crescimento. (Exemplo: Vegeta em Dragon Ball, que inicialmente é um antagonista, mas se torna um aliado e um estímulo para Goku melhorar).
  • Antagonista com valores opostos: Um vilão bem construído não apenas cria obstáculos, mas também desafia a visão de mundo do protagonista. (Exemplo: O Senhor das Sombras em Mistborn, cujo poder e ideologia forçam Vin a amadurecer e repensar suas crenças).

As relações entre personagens devem ser dinâmicas, mudando ao longo da história conforme eventos importantes ocorrem. Uma amizade pode se transformar em rivalidade, um mentor pode falhar ou até mesmo trair o protagonista, e um inimigo pode se tornar um aliado inesperado.

Como evoluir o personagem ao longo da trama

O desenvolvimento do protagonista deve ser perceptível e coerente. O público precisa ver mudanças em sua personalidade, crenças e habilidades ao longo da história. Aqui estão algumas formas de garantir essa evolução:

  1. Criação de desafios progressivos
    • O protagonista deve enfrentar obstáculos cada vez mais difíceis, forçando-o a crescer e se adaptar. Se no início ele não sabe liderar, deve passar por experiências que o ensinem a assumir essa responsabilidade.
  2. Erros e consequências
    • Um bom personagem aprende com seus erros. Mostrar falhas e as consequências de suas escolhas torna a evolução mais natural e impactante.
  3. Mudança de mentalidade
    • Um protagonista que começa com uma visão de mundo ingênua pode amadurecer ao longo da história. Por exemplo, Rand al’Thor, de A Roda do Tempo, inicia sua jornada como um jovem inseguro e gradualmente se torna um líder mais endurecido e estratégico.
  4. Habilidades e conhecimentos adquiridos
    • O protagonista deve ganhar novas habilidades e conhecimento ao longo da trama, seja aprendendo magia, dominando uma espada ou compreendendo melhor as pessoas ao seu redor.
  5. Impacto emocional da jornada
    • Além das mudanças externas, o protagonista deve passar por uma transformação interna. Ele pode começar desconfiado e aprender a confiar, ou iniciar como um herói idealista e se tornar mais pragmático conforme enfrenta dificuldades.

O desenvolvimento do protagonista depende tanto dos desafios que enfrenta quanto das pessoas com quem interage. Relacionamentos bem construídos e um arco de evolução coerente garantem que o personagem permaneça interessante e envolvente ao longo da história. Quanto mais orgânica for essa transformação, mais impactante será a jornada para o leitor.

Construindo um Mundo que Reforce o Protagonista

Em fantasia épica, o protagonista não existe isolado—ele é moldado pelo mundo ao seu redor, e suas ações também deixam marcas nesse cenário. Criar um universo rico e coerente não apenas torna a história mais envolvente, mas também reforça o desenvolvimento do personagem, suas motivações e sua jornada.

Como o mundo influencia o protagonista e vice-versa

O ambiente onde o protagonista cresce e vive tem um impacto profundo em sua personalidade, crenças e habilidades. Alguns elementos que influenciam esse desenvolvimento incluem:

  • A geografia e o clima: Um personagem vindo de um deserto árido terá uma mentalidade e uma resiliência diferente de alguém criado em uma cidade portuária. (Exemplo: Paul Atreides em Duna, cuja adaptação ao planeta Arrakis define sua trajetória).
  • A estrutura política e social: Um protagonista nascido na realeza terá uma visão de mundo distinta de alguém criado em um sistema opressor ou tribal. Seu papel na sociedade pode moldar sua percepção de justiça, lealdade e dever.
  • Os conflitos do mundo: Guerras, invasões, rebeliões ou a ameaça de forças sobrenaturais podem determinar os desafios que o protagonista enfrentará e até mesmo suas motivações.

Da mesma forma, o protagonista pode influenciar o mundo. Suas ações devem causar impacto, seja derrubando um império, introduzindo uma nova filosofia ou mudando o destino de um povo.

A cultura, mitologia e sistema mágico como elementos formadores da identidade do personagem

O mundo da fantasia épica é muitas vezes enriquecido por culturas diversas, mitologias detalhadas e sistemas mágicos que impactam diretamente o protagonista. Para criar uma conexão forte entre o personagem e o universo da história, considere:

  1. Cultura e Tradições
    • O que o protagonista aprendeu em sua infância? Ele segue dogmas religiosos, leis rígidas ou costumes peculiares de seu povo?
    • Existe um choque cultural quando ele sai de sua terra natal? Isso pode criar momentos de conflito e aprendizado ao longo da trama.
    • Exemplo: Em O Nome do Vento, Kvothe cresce em uma trupe itinerante com forte tradição oral, o que molda sua habilidade com palavras e sua visão de mundo.
  2. Mitologia e Lendas
    • As histórias que o protagonista ouviu quando criança podem influenciar seus medos, esperanças e até mesmo seu senso de dever.
    • Ele pode descobrir que as lendas que acreditava serem apenas histórias são, na verdade, reais, alterando sua visão da realidade.
    • Exemplo: Frodo, em O Senhor dos Anéis, parte em sua jornada já conhecendo histórias antigas sobre heróis e vilões, o que dá profundidade à sua percepção dos eventos que vivencia.
  3. Sistema Mágico e suas Regras
    • Se existe magia no mundo, como ela afeta o protagonista? Ele a domina, teme ou é excluído por não possuí-la?
    • As regras da magia podem criar limitações interessantes para o protagonista, forçando-o a encontrar soluções criativas para seus desafios.
    • Exemplo: Em Mistborn, Vin aprende a usar a alomancia, mas precisa lidar com suas próprias inseguranças e com a forma como a sociedade trata aqueles que possuem esse poder.

Um mundo bem construído não é apenas um pano de fundo para a história, mas um elemento ativo que influencia e é influenciado pelo protagonista. Ao alinhar geografia, cultura, mitologia e sistema mágico ao desenvolvimento do personagem, você cria uma experiência mais imersiva e um protagonista cuja identidade está profundamente enraizada no universo da história.

Erros Comuns ao Criar Protagonistas em Fantasia Épica

Criar um protagonista memorável em fantasia épica é um desafio. Muitos escritores acabam caindo em armadilhas que tornam seus personagens previsíveis, superficiais ou desconectados da trama. Para evitar esses problemas, é essencial identificar os erros mais comuns e encontrar formas de equilibrar originalidade e familiaridade.

A. Clichês a evitar

Clichês não são necessariamente ruins, mas quando usados sem inovação, podem deixar o protagonista sem profundidade. Aqui estão alguns dos mais comuns na fantasia épica:

  1. O Escolhido sem explicação
    • O protagonista é “especial” apenas porque sim, sem que isso seja desenvolvido ou tenha peso real na narrativa. Exemplo ruim: Um órfão descobre que tem poderes únicos e automaticamente se torna o salvador do mundo, sem precisar enfrentar desafios reais para merecer esse título.
    • Como evitar: Dê razões concretas para a importância do protagonista e faça com que ele cresça ao longo da história, conquistando seu papel na trama.
  2. O Herói perfeito
    • Personagens sem falhas, que sempre fazem a coisa certa, vencem todas as batalhas e são amados por todos se tornam desinteressantes.
    • Como evitar: Dê ao protagonista fraquezas reais e desafios que ele nem sempre consegue superar facilmente.
  3. O protagonista sombrio e solitário sem profundidade
    • Criar um personagem que é apenas “frio” e “distante” sem um motivo convincente pode torná-lo bidimensional.
    • Como evitar: Se ele for solitário ou cínico, deve haver uma razão forte para isso, como um passado traumático ou uma visão de mundo moldada por experiências marcantes.
  4. Motivações genéricas
    • “Salvar o mundo” ou “derrotar o vilão” são objetivos genéricos demais se não houver uma motivação pessoal por trás.
    • Como evitar: Conecte os desejos do protagonista à história de forma emocional. Ele não deve lutar apenas porque precisa, mas porque tem algo significativo em jogo.

O perigo dos protagonistas genéricos

Além dos clichês, outro problema comum é criar personagens que parecem intercambiáveis. Se o protagonista de uma história pode ser facilmente substituído sem grandes impactos, há um problema. Alguns sinais de um protagonista genérico incluem:

  • Falta de personalidade marcante: O personagem toma decisões previsíveis e não apresenta traços únicos.
  • Ausência de conflitos internos: Ele simplesmente segue a jornada sem questionar ou ter dilemas reais.
  • Falta de impacto no mundo: A história acontece ao redor dele, mas ele não toma decisões que realmente afetam os eventos.

Como equilibrar originalidade e familiaridade

A originalidade é importante, mas um protagonista também precisa ter elementos que o tornem relacionável para os leitores. Aqui estão algumas estratégias para equilibrar inovação e familiaridade:

  1. Pegue um arquétipo clássico e dê um toque único
    • Se seu protagonista é um guerreiro destemido, adicione uma característica inesperada, como um medo irracional de magia ou um talento incomum, como poesia.
  2. Misture influências diversas
    • Pense em combinar aspectos de diferentes personagens ou culturas para criar algo novo. Um mago que cresceu entre guerreiros pode ter uma abordagem única para o combate, por exemplo.
  3. Construa relações profundas com outros personagens
    • O jeito como o protagonista interage com aliados e inimigos pode torná-lo único. Um herói impulsivo pode ter um mentor mais paciente que o desafia a pensar antes de agir.
  4. Dê falhas humanas e crescimento real
    • Um protagonista que comete erros e aprende com eles será mais memorável do que um que já começa perfeito.

Criar um protagonista em fantasia épica exige equilíbrio entre tradição e inovação. Evitando clichês desgastados, dando profundidade às motivações e garantindo que ele tenha falhas e crescimento, você pode criar um personagem que não apenas guia a história, mas também deixa uma marca duradoura no leitor.

Criar protagonistas memoráveis em fantasia épica é um desafio que exige atenção a vários elementos fundamentais. Ao longo deste artigo, exploramos as características que tornam um personagem inesquecível, a importância de sua jornada e motivações, o impacto das falhas e vulnerabilidades, o papel das relações com outros personagens e como o mundo ao seu redor molda sua identidade. Também analisamos erros comuns e como evitá-los, garantindo um equilíbrio entre originalidade e familiaridade.

Se há uma lição principal, é que um protagonista cativante precisa ser mais do que apenas um herói que salva o mundo—ele deve ser um personagem com conflitos internos, evolução real e impacto genuíno na história e no leitor.

Agora é a sua vez de aplicar essas técnicas! Pense nos personagens que você já criou ou pretende desenvolver e reflita sobre como torná-los mais profundos, autênticos e envolventes.

E para continuarmos essa conversa, queremos saber: qual é o protagonista mais memorável da fantasia épica para você e por quê? Deixe sua opinião nos comentários!